domingo, 16 de abril de 2017

Eric Rohmer – “O Amigo da Minha Amiga” / “L’Ami de mon amie”


Eric Rohmer – “O Amigo da Minha Amiga” / “L’Ami de mon amie”
(França – 1987) – (103 min. / Cor)
Emmanuelle Chaulet, Sophie Renoir, Anne-Laure Meury, Eric Viellard, Françoi-Eric Gendron.

“O Amigo da Minha Amiga” / “L’Ami de mon amie” é o último capítulo da série “Comédias e Provérbios”, mas na realidade trata-se de um verdadeiro conto moral, que se integra perfeitamente na primeira série de películas de Eric Rohmer, cujo título genérico é precisamente “Contos Morais”.


O sempre jovem e imortal cineasta francês narra-nos a história da amizade entre duas jovens, Blanche (Emmanuelle Chaulet), que trabalha na Mairie e a jovem Léa (Sophie Renoir), que se encontra a estagiar na área de informática. Após o encontro, Léa convida Blanche para irem até à piscina e aí vão encontrar o sedutor Alexander (François-Eric Gendron), um engenheiro, cuja última conquista é uma estudante de Arte de seu nome Adrienne (Anne-Laure Meury). Como não podia deixar de ser, Blanche fica fascinada por Alexander, enquanto a sua amiga termina por lhe apresentar Fabien (Eric Viellard), seu namorado, com quem mantém uma relação à beira do precipício.


Partindo do mote “os amigos dos meus amigos, meus amigos são”, Eric Rohmer conta-nos uma maravilhosa história de encontros e desencontros entre este quarteto constituído por Blanche, Léa, Alexander e Fabien, no qual a jovem Blanche irá viver os imponderáveis da paixão. Se Léa termina por romper com Fabien, já a relação de Blanche com Alexander nunca chegará a concretizar-se, devido ao medo e indecisões da jovem em dar o passo inicial, terminando por no final da película cair nos braços de Fabien, mas desistindo posteriormente de continuar a relação com ele, por causa da sua amizade com Léa.
Rohmer irá conduzir todos eles a porto seguro num derradeiro encontro, bastante inesperado, em que viremos a saber que Léa anda com Alexander e assim Blanche vê-se finalmente liberta das suas convenções morais e confessa o seu amor a Fabien.


“O Amigo da Minha Amiga” é um perfeito retrato das relações humanas existentes nos anos oitenta do século xx, demonstrando mais uma vez, Eric Rohmer todo o seu saber, ao nos oferecer um conjunto de diálogos verdadeiramente saborosos, que são mais uma vez o espelho do excelente argumentista que ele sempre se revelou. Por outro lado o cineasta oferece-nos o seu conhecido olhar naturalista, ao mesmo tempo que trabalha, como é seu hábito, com uma pequena equipa na produção do filme, demonstrando assim, mais uma vez, toda a sua arte cinematográfica.

2 comentários:

  1. Só comparáveis ao diálogos, é certo que mais "metafísicos", de Bergman, os filmes de Rohmer obrigavam a uma redobrada atenção do espectador: à imagem e ao texto.
    Era isso, e ainda é, em grande parte, o que faz (ou fazia) a riqueza do cinema europeu, em contraste com o cinema norte-americano: mais acção, movimento e, mais tarde, efeitos especiais...
    Penso que ainda irei a tempo para lhe desejar um bom resto de Domingo de Páscoa, muito cordialmente.

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    1. Concordo com o que escreve, na verdade o cinema europeu teve sempre uns excelentes alicerces literários, que o conduziram a que a passagem do tempo o tornasse ainda mais valioso tornando-o na Sétima Arte e Eric Rohmer foi um dos mais belos cineastas da palavra, basta conferir os seus livros, que deram origem às três séries, com os filmes realizados, para descobrirmos que tudo se encontra no écran.
      Agradeço os votos Pascais e desejo uma boa semana.
      Muito bom dia!

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