domingo, 2 de abril de 2017

Crónicas da Galaxia - "Os Dias da Rádio"


Eram os dias da Rádio e a minha aventura a escutar a rádio iniciou-se ainda com a idade de um digito e um transístor amarelo de 5 x 10 cm e a célebre banana para colocar no ouvido, para não incomodar terceiros, ao contrário do que sucede nos dias de hoje nos transportes públicos. E se nesse tempo apenas tinha a Onda Média, no dia em que entrou em casa um rádio com FM e gira-discos incluído, prenda da ida para o Liceu, descobri um universo do qual nunca mais me esqueci, tal como o nome dos homens que faziam essas emissões: Jaime Fernandes, João David Nunes, Jorge Gil, Cândido Mota, Jorge Lopes, Fernando Quinas, Rui Morrison, António Sérgio,  José Nuno Martins, José Duarte, José Corte Real, Pedro Castelo e José Manuel Nunes, só para referir alguns dos nomes que me ficaram na memória

Depois temos os programas e duas estações em particular: Rádio Renascença e Rádio Clube Português, mais tarde iria dar origem à Rádio Comercial. E a razão de estar a falar neles deve-se a um dia destes, ao estar a fazer zapping, “apanhar” precisamente uma entrevista que Júlio Isidro estava a fazer ao saudoso Jaime Fernandes, essa voz inconfundível da nossa rádio e que ali contava a história da sua vida, que terminava por se confundir com a história da própria rádio  em Portugal. E desde esse dia recordei que o meu gosto musical foi feito por esses homens da rádio nessa década de setenta do século xx, que expandiu para sempre os meus horizontes musicais.

Vem-me à memória programas como o “Dois Pontos” em que gravávamos álbuns inteiros nas “K7” ou a descoberta da música barroca tocada em instrumentos da época no programa “Em Orbita” do Jorge Gil e com locução do Cândido Mota, que marcou o meu gosto pela Música Antiga. O Jorge Lopes, com um programa do qual não tenho a certeza de se chamar “Forum”, que ía para o ar entre as 20 e as 22 horas, sendo a última meia-hora dedicada a divulgar o jazz da editora ECM, que hoje em dia constitui metade da minha discoteca. O programa “Clube à Gô-Gô” com indicativo dos Kraftwerk e por onde passava todo o tipo de música, de Nat King Cole, a Wim Mertens, de Edgar Froese aos Doors, de Tony Bennett a Leo Ferré, com locução de Fernando Quinas, João David Nunes e outros. “Os Cantores da Rádio” do José Nunes Martins, que me deu a conhecer um universo até então desconhecido da MPB, tal como iria suceder com o “Counstry & Western” trazido pela mão de Jaime Fernandes, no seu “Música da América”; os imortais “Cinco Minutos de Jazz” do José Duarte, no interior da 23ª hora. O mais que célebre “Página Um” do José Manuel Nunes e Luís Paixão Martins, onde navegava José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco entre outros e depois ficava a “pão e água” ou seja a censura calava a emissão e só se escutava música clássica.

Como esta Crónica da Galaxia tem imensas memórias, irei voltar a este tema, falando em concreto de cada um destes e outros programas, mas não posso deixar de referir ainda “O Homem no Tempo” de João de Sousa Monteiro e João David Nunes, um caso de genialidade na forma de fazer rádio. O meu obrigado, caros amigos, pelo gosto musical que me transmitiram!

2 comentários:

  1. Tantos dos citados foram também por mim ouvidos! No entanto, o Jorge Lopes, lá em casa, será sempre o Homem do atletismo!! Muito bom!

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    1. Foram eles que fizeram o bom gosto de muitas gerações:)
      E o Jorge Lopes, para mim, será sempre o homem que me deu a conhecer a maravilhosa música da ECM records!
      Boa noite!

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