sábado, 18 de março de 2017

Brian Eno - "Discreet Music"


 Brian Eno
“Discreet Music”
Virgin

No interior da música ambiental da autoria de Brian Eno, o trabalho “Music For Airports”, do qual já aqui falámos, datado de 1978, surge como um marco capital no pensamento artístico do músico britânico, que irá constituir com o álbum “Discreet Music”, gravado três anos antes , um ciclo musical que o próprio compositor irá denominar por “Thinking Music”, sendo os álbuns “Thurday Afternoon” e “Neroli” os capítulos seguintes.


“Discreet Music” foi editado inicialmente na “Obscure Records” (mais tarde surgiu editada na EG e posteriormente na Virgin), etiqueta criada pelo próprio Brian Eno e onde nomes como Gavin Bryars, Harold Budd, Michael Nyman e John Adams, entre outros, gravaram álbuns fundamentais no interior da música contemporânea. Este trabalho discográfico apresenta-se dividido em duas partes profundamente distintas, mas similares, ou seja no lado A temos o tema “Discreet Music”, com cerca de meia-hora de extensão, onde a música repetitiva e melódica se vai instalando no espaço de forma quase imperceptível, para terminar por se confundir com os sons ambientais e tornar-se não um intruso, mas sim o companheiro ideal, sempre numa doce linha melódica. O método de gravação e desenvolvimento musical já tinha sido usado anteriormente, embora de forma um pouco diferente, no álbum “No Pussyfooting”, o qual já aqui foi abordado, da responsabilidade da dupla Fripp & Eno e que Robert Fripp irá utilizar e desenvolver através do seu célebre Fripptronics no álbum “Let The Power Fall”.


Já no lado B de “Discreet Music” surge o bem conhecido tema de Pachelbel  “Canon in D Major”, sendo revisitado pelo Ensemble Cockpit dirigido pelo compositor Gavin Bryars, que é também responsável pelos arranjos, que irão dar origem às três variações que nos são oferecidas e cujo ciclo foi intitulado “Three Variations on the Canon in D. Major by Johann Pachelbel” (1-“Fullness of Wind”; 2-“French Catalogues”: 3-“Brutal Ardour”) e onde, mais uma vez, o minimalismo se encontra bem presente envolvendo o ouvinte de forma melódica e tranquila, tal como sucedia no lado A deste fabuloso trabalho de Brian Eno intitulado “Discreet Music”.

Nota: Este é um dos álbuns que me acompanha nas minhas leituras caseiras, envolvendo o espaço onde me encontro. Esta semana ainda falarei de outros trabalhos discográficos que navegam pelas mesmas águas musicais.

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