sábado, 15 de abril de 2017

André Téchinè – “Os Fugitivos” / “Les égarés”


André Téchinè – “Os Fugitivos” / “Les égarés”
(França/Inglaterra–2003) – (95 min. / Cor)
Emmanuelle Béart, Gaspar Ulliel, Grégoire Lefranc-Ringuet.

Após a célebre geração dos Cahiers du Cinema passar da escrita à realização, surgiu uma outra geração da qual se destacou ente outros André Téchinè e como muitos sabem o período da ocupação alemã durante a Segunda Grande Guerra, sempre foi um tema que fascinou os cineastas franceses, entre os quais Jean-Pierre Melville, Louis Malle e André Téchinè que em “os Fugitivos” / “Les égarés” mergulha no ano de 1940 para nos dar a conhecer a história de Odille (Emmanuelle Béart) que, com os seus dois pequenos filhos, percorre as estradas de França, numa dessas tristemente célebres colunas de refugiados, sem destino certo, que regularmente eram perseguidas pelos caças alemães. Após se ter refugiado numa das muitas casas abandonadas, irá cruzar-se com o jovem Yann (Gaspar Ulliel), um desses pequeno delinquentes, sem eira nem beira, fugido do reformatório. Iremos assim acompanhar a existência deste quarteto de pessoas: dois adultos e duas crianças, ao longo do filme, onde a tragédia teima em espreitar as suas vidas acossadas.


André Téchinè, que no seu filme anterior, o magnifico “Longe” / “Loin”, nos falava desses homens e mulheres que do outro lado do Mediterrâneo sonham com a Europa, um tema que se tornou bem presente nos dias de hoje, mais uma vez em “Os Fugitivos” oferece-nos uma direcção de actores perfeita, com Emmanuelle Béart a surpreender-nos novamente através do seu enorme talento, num argumento que navega de forma sábia por esse território conformista que marcou decididamente a França do período da ocupação alemã, conduzindo-nos a essa “ilha”, onde vivem os protagonistas do filme, enquanto esperam por um futuro que iria tardar em chegar. “Os Fugitivos” revela-se um filme a descobrir, de um grande cineasta!

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