sábado, 18 de março de 2017

Richard Attenborough – “A Chorus Line”


Richard Attenborough – “A Chorus Line”
(EUA – 1985) – (113 min. / Cor)
Michael Douglas, Yamil Borges, Jan Gan Boyd, Sharon Brown, Vicki Frederick, Janet Jones, Audrey Landers.

Quando falamos de Sir Richard Attenborough, as referências são diferentes: para os mais novos ele é "o cientista de Parque Jurássico", enquanto os mais velhos falam logo em "Gandhi", essa película que chegou à noite dos Oscars e limpou a mesa das estatuetas, à boa maneira de David Lean com as produções de Sam Spiegel. Mas os nossos filmes preferidos de Sir Richard são o melodrama "Shadowlands", acerca do romance do escritor C. S. Lewis, cujos livros infantis poderão ser encontrados nas livrarias, às quais Anthony Hopkins e Debra Winger deram um sabor de cinema clássico, obrigando o coração mais empedernido a suspirar e depois existe o filme mais ignorado do cineasta, o "Chaplin", com o Robert Downey Júnior a oferecer-nos a melhor interpretação da sua carreira e a Academia de Hollywood a cometer uma das maiores injustiças da sua existência, enfim, elas já são tantas que até tiveram de criar o Oscar de Carreira para colmatar os erros do passado. Mas a película que nos ocupa hoje é "A Chorus Line", um musical de Marvin Hamlisch, que se manteve nos palcos da Broadway durante mais de uma década e que é o segundo musical de Richard Attenborough no cinema. O primeiro foi "Oh! What a Lovely War".


O musical de Hamlisch estreou-se em 21 de Maio de 1975, no Public Theatre, em Nova Iorque e Richard Attenborough conseguiu criar um clima demonstrativo das razões que levaram a peça a permanecer em cena durante tantos anos e depois a efectuar uma digressão mundial. O tema em questão é a audição/escolha de oito elementos para o grupo de bailarinos, de um espectáculo a ser levado ao palco. Evidentemente que os candidatos são às centenas e depois de muitas lutas, ilusões e angústias, são escolhidos dezassete, para uma selecção final pelo implacável coreógrafo Zach, interpretado brilhantemente por Michael Douglas.



O filho mais velho de Kirk Douglas, nesta época ainda a meio caminho da celebridade, agarra a personagem de uma forma soberba, como mais tarde faria com tantas outras figuras que foi interpretando ao longo da sua carreira. Quando revemos a série "Ruas de S. Francisco" ficamos, na verdade, com aquele sorriso nos lábios, murmurando como o tempo passa e depois essa máquina infernal que é a cinéfilia leva-nos até às películas de Kirk (pai) e a dois filmes que nos marcaram em crianças, o célebre "Spartacus"de Stanley Kubrick e o "Big Sky" / “A Céu Aberto” de Howard Hawks, mas isso são histórias para uma outra altura. Só para terminar esta divagação, não nos esqueçamos do trabalho de produtor do Michael Douglas, pois ele é o principal responsável da feitura de "Voando Sobre Um Ninho de Cucos" / “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” de Milos Forman, já que foi ele que correu as "capelinhas" todas de Hollywood para levar a produção do filme a bom porto! (*)


Durante a audição, Zach vê-se a braços com a chegada de Cassie – a paixão da sua vida que regressa do passado para lhe invadir o presente. O clima emocional vai aumentando, de minuto a minuto, enquanto os candidatos oriundos dos mais diversos locais se vão apresentando, ao mesmo tempo que os seus problemas e aspirações se vão desenvolvendo debaixo do olhar gélido do coreógrafo. Até que chega ao momento decisivo de escolher os oito elementos que irão dar vida ao "A Chorus Line" da Broadway. Como Zach diz no momento crucial da selecção: - "Todos foram bons, mas só tenho lugar para oito" e "the show must go on"! (**)



Richard Attenborough invadiu, com este seu filme, os bastidores do teatro musical, captando as tensões que nele se desenvolvem e que a grande maioria dos espectadores ignora, de forma perfeita e por sinal bastante clássica
"A Chorus Line" merece ser revisitado, como grande musical que é porque nele habita a harmonia do cinema.


(*) - Um dado curioso e pouco conhecido, Kirk Douglas interpretou nos palcos o papel protagonizado por Jack Nicholson na película de Milos Forman e durante toda a sua vida (décadas) lutou para fazer o filme (produzindo e vestindo a pele do protagonista), recorde-se que o filme partiu da peça do ex-beatnick Ken Kesey, tornado célebre depois da sua trip com Jack Kerouac e Dean Moriarty.

(**) - Como escreveu Susan Sontag, "nos anos sessenta não havia a nostalgia", hoje ela é uma constante!

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