terça-feira, 7 de março de 2017

Martin Scorsese – “A Idade da Inocência” / “The Age of Innocence”


Martin Scorsese – “A Idade da Inocência” / “The Age of Innocence”
(EUA – 1993) – (139 min. / Cor)
Daniel Day-Lewis, Michelle Pfeiffer, Wynona Ryder, Mary Beth Hurt, Richard E. Grant.

Martin Scorsese, ao levar ao cinema o famoso livro de Edith Wharton “A Idade da Inocência” / “The Age of Innocence”, irá mais uma vez surpreender tudo e todos com esta história romântica passada nos finais do século XIX, no interior da alta-sociedade nova-iorquina, onde o dinheiro, as intrigas e o amor proibido andam de mãos dadas.


Newland Archer (magnifico Daniel Day-Lewis) encontra-se noivo de May Welland (Winona Ryder), uma rapariga da alta-sociedade, que se encontra desde muito cedo destinada a um casamento no interior do seu círculo de amizades e, desde logo, ambos sentem nutrir esse amor convencional que lhes irá proporcionar uma vida sem sobressaltos, que ambos ambicionam. Mas com a chegada da Condessa Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer), vinda da Europa, que se encontra a divorciar-se do marido, tudo será posto em causa já que, como não podia deixar de ser, o célebre “falatório” começa a rodear a bela Condessa, terminando Newland Archer que nutre, desde bem cedo, uma atracção fatal por ela, por sair em sua defesa, ao ser confrontado com as opiniões alheias e respectivas intrigas, que inevitavelmente, perante a beleza de Ellen, a colocam nas ruas da amargura, chegando ao ponto de a considerarem uma dessas mulheres fáceis que oferecem os prazeres da carne em troco de dinheiro e de uma bela posição social.


Mais uma vez Martin Scorsese constrói uma película onde os célebres movimentos de câmara nos seduzem de imediato, veja-se os seus belos travellings nas festas de sociedade, ao mesmo tempo que, de forma quase subterrânea, nos vai oferecendo o amor nascente entre Newland Archer e Ellen Olenska. E se a direcção de actores é magnífica com um Daniel Day-Lewis a actuar de forma contida e cativante, já a figura de Michelle Pfeiffer surge-nos aqui repleta de sensibilidade e ternura, conseguindo a actriz a melhor interpretação da sua carreira. Isto tudo para já não falarmos na reconstituição de época, verdadeiramente fidedigna e surpreendente, ao mesmo tempo que sentimos esse respirar cínico dos salões da sociedade mais rica de Nova Iorque.
Como não podia deixar de ser ao vermos “A Idade da Inocência” / “The Age of Innocence”, somos obrigados a constatar no interior da película a célebre matriz Viscontiana, trabalhada por Martin Scorsese, numa homenagem ao célebre Mestre italiano Luchino Visconti.


“A Idade da Inocência” / “Age of Innocence”, relata-nos assim uma história de afectos, que acabarão por nunca se concretizar, porque quando Newland Archer decide pedir o divórcio da sua esposa, ela antecipa-se e anuncia-lhe que se encontra grávida e feliz por ser mãe do seu filho, revelando assim a jovem May Welland, que conhece os sentimentos do marido pela bela Condessa Ellen Olenska, obrigando-o de forma “bem inocente” a regressar ao lar e a aceitar as regras do jogo, embora Newland Archer nunca esqueça a bela Ellen Olenska.

Martin Scorsese, com esta maravilhosa pérola da sua extensa filmografia, realiza uma das mais belas obras-primas da Sétima Arte, que bem merece ser recordada!

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