domingo, 5 de março de 2017

Garson Kanin – “A Minha Mulher Favorita” – “My Favorite Wife”


Garson Kanin – “A Minha Mulher Favorita” – “My Favorite Wife”
(EUA 1940) – (89 min. - P/B)
Cary Grant, Irene Dunne, Randolph Scott.

Escolhemos para hoje a película de Garson Kanin “A Minha Mulher Favorita” e muitos estarão a dizer, mas quem é Garson Kanin, outros dizem o Cary Grant conheço mas o filme? Ainda outros pensarão, o Randolph Scott, o tal cow-boy das películas de Budd Boetticher, que género de filme será este?
Vamos então ao que interessa, partindo um pouco da minha memória pessoal desta coisa dos movies, um dia numa daquelas conversas acerca de filmes, um amigo regressado dos States falou-me de um filme chamado “My Favorite Wife” com o Cary Grant, disse que era de “chorar a rir”, sendo ele uma daquelas pessoas, como eu, pouco propícias a este género de situação num espaço público, já que apenas tinha vivido esse “estado líquido” com “O Meu Tio” de Jacques Tati e “O Sheik Branco” de Federico Fellini, fiquei curioso e como não há nada como saber o nome do realizador, lá lhe fiz a sacramental pergunta e o realizador é? Mas o meu amigo, cuja área não é propriamente o cinema, narrou-me o argumento mas o nome do cineasta Kaputt!!!!


Até que um dia descobri o filme de Mr. Garson Kanin numa sala de cinema, a produção era do Leo McCarey e o que se passou é que, pela terceira vez na minha vida, voltei a chorar a rir e assim acontece sempre que vou rever a película no pequeno écran, graças ao DVD editado no nosso país..
Garson Kanin é um dos mais famosos argumentistas de Hollywood, casado com uma outra famosa argumentista da Meca do Cinema, chamada Ruth Gordon, curiosamente apenas assinaram juntos quatro argumentos, um deles o célebre “Costela de Adão”/”Adam’s Rib” interpretado por esse eterno par apaixonado constituído por Spencer Tracy e Katherine Hepburn.
Mr. Garson era um experiente conhecedor do meio, tinha começado como actor nos palcos da Broadway, depois passou a encenador e por fim argumentista. Quando Leo McCarey teve um acidente de viação, que lhe impossibilitou realizar “My Favorite Wife” / “A Minha Mulher Favorita”, indicou Garson Kanin para a realização e a opção foi excelente. Curiosamente, tanto Garson como a esposa Ruth nunca se deram bem com o Sistema dos Estúdios e os respectivos “controleiros” dos argumentistas e respectivos argumentos, acabando por se tornarem independentes, caso raro na época. Recorde-se como três nomes famosos da Literatura se deram mal em Hollywood: Francis Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e William Faulkner, os dois primeiros até chegaram a serem expulsos depois de serem apanhados a matar a sede no bar dos Estúdios.


Mas vamos ao filme em si! Ellen Arden (Irene Dunne) foi dada como desaparecida num naufrágio, o marido Nick (Cary Grant) tudo fez para a encontrar, mas não houve sobreviventes. Sete anos depois Nick, pai de duas crianças, decide casar com Bianca (Gail Patrick) e o impensável acontece: nesse mesmo dia Ellen regressa a casa, embora revelando apenas a identidade à mãe, já que os filhos não a reconhecem pois eram ainda muitos pequenos quando se deu a “tragédia”. Mas a verdadeira tragédia iria começar quando Nick, levando Bianca para o mesmo hotel onde sete anos antes passara a lua-de-mel com Ellen, descobre a sua “favorite wife” sentada na recepção.


Para não sermos acusados de estarmos a fazer o resumo do argumento, decidimos ficar por aqui, mas poderemos adiantar que estamos no verdadeiro reino da comédia, com um conjunto de situações a surgirem de forma encadeada, como se uma pequena bola de neve lançada do alto de uma montanha acabasse por provocar uma verdadeira avalanche, em que todos sobrevivem.
Falámos aqui de Randolph Scott, o que faz ele na história? Para além de na vida real ele e Cary terem trabalhado durante muitos anos para o mesmo Estúdio e serem os maiores amigos deste mundo, ele aqui é apenas o outro sobrevivente do naufrágio que compartilhou a tal ilha deserta com Ellen… Sete Anos!!!! Será que pusemos o pé na poça, ou foi só uma gracinha para apimentar a visão desta maravilhosa comédia. E não esqueçam também meus caros amigos que quando tudo parece acabar bem, as mulheres por vezes são bastantes “caprichosas” e o the end do filme só vendo mesmo a película.


“A Minha Mulher Favorita” / ”My Favorite Wife” de Garson Kanin é uma das maiores comédias dos anos quarenta ou melhor, uma das maiores comédias de sempre da Sétima Arte!


Nota: Quando Marilyn Monroe se "suicidou" estava precisamente a filmar o “remake” desta película, sendo dirigida por Billy Wilder, o título escolhido foi “Something’s Got to Give” e os outros membros do trio eram Dean Martin e Cyd Charisse.

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