sexta-feira, 17 de março de 2017

Eric Rohmer – “Nadja à Paris”


Eric Rohmer – “Nadja à Paris”
(França – 1964) – (13 min. – P/B)
Nadja Tesich

No início da sua carreira, o cineasta Eric Rohmer assinou diversas curtas-metragens e “Nadja à Paris” é um maravilhoso convite a visitar a cidade das luzes, oferecido pelo olhar de uma estudante nascida em Belgrado, mas que cedo partiu para os Estados Unidos. A sua ida para Paris deveu-se ao facto de se encontrar a preparar uma tese acerca dessa figura incontornável da Literatura chamada Marcel Proust.


Iremos assim, através da câmara de Eric Rohmer, conhecer o dia a dia de Nadja (Nadja Tesich, responsável pelo texto que vamos escutando ao longo do filme). Na universidade onde se encontra existem estudantes oriundos de todas as partes do mundo, e será precisamente ali que a iremos conhecer. Depois saberemos que o primeiro bairro que conheceu foi Saint-Germain des Prés, embora se sinta muito melhor em Montparnasse, a conviver com essa intelectualidade que elegeu o famoso bairro como a sua casa por excelência.


A Paris que nos é oferecida por Rohmer não difere muito da cidade que é possível encontrar hoje em dia quando a visitamos, onde a cultura respira por todos os poros, despertando sempre o interesse dos seus habitantes pelos livros, esses bons amigos que nos abrem os horizontes do mundo em que vivemos.
Nadja adora sentar-se nos cafés simplesmente para observar a vida a passar, como fazem muitos dos parisienses nas suas horas vagas ou lendo aquele livro de “poche”, que nos desperta o interesse.


A descoberta do famoso Parque dos Buttes Chaumont, tranquilo e convidativo ao passeio, revela-se uma experiência inesquecível para Nadja que, depois de sonhar nas suas alamedas, mergulha no bairro popular de Belleville, para conviver com os seus habitantes, sentindo que não é ostracizada pelo simples facto de ser estrangeira, sendo recebia como uma parisiense, revelando-se Paris como a cidade perfeita para nos reencontrarmos com a vida e embora ela saiba que não irá ficar a viver na cidade das luzes para sempre, quando partir irá levá-la no coração, como nos confessa no final da película.

Nadja Tesich e Eric Rohmer

Esta curta-metragem datada de 1964, surge como uma bela e inesquecível homenagem à cidade de Paris, levada a cabo pelo cineasta Eric Rohmer, revelando-se como uma verdadeira pérola no interior da sua filmografia e que bem poderia ombrear com o famoso filme “Os Encontros de Paris” / “Les rendez-vous de Paris”, nascido décadas depois e que mais uma vez nos revela a paixão de Eric Rohmer pela cidade das luzes.


“Nadja à Paris” é a prova de que no território das curtas-metragens existem verdadeiras pérolas cinematográficas, que nos convidam à meditação e ao sonho.

2 comentários:

  1. Ia outra vez, já e percorreria os caminhos da Nadja, ou outros, nevagando com calma entre avenidas, cafés e livrarias!

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    1. Concordo em absoluto! Não há melhor lugar para ver a vida a passar e sentir o pulsar da cultura:)
      Bom fim-de-semana!

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