sábado, 30 de julho de 2016

Le Bande Magnetique


Foi neste verão de 2016 que encontrámos, na Estação de Metro da Praça da Bastilha, a magnifica “Le Bande Magnetique” e de imediato, tal como inúmeros passageiros, ficámos ali parados, a escutar deliciados a excelente música deste sexteto de jazz e como não podia deixar de ser comprámos o CD que eles gravaram em 2015, no qual podemos escutar três temas da autoria de Tom Duchamp, “Ska D’Saison”,” Calamity Ska” e Play My Blues”, o trompetista do grupo, um tema do compositor Gabriel Fauré intitulado “Les Berceaux”, e três temas tradicionais, respectivamente, “Father and Son”, “Freedom Sounds” e “Christine Keller”.


“Le Bande Magnetique” é composta por:

Elaine Beaumont: Contrabaixo
Joseph Kempf: Bateria
Victor Tortora: Guitarra
Tom Duchamp: Trompete
Martin Gilloire: Trombone
Julien Cavard: Saxofone 



Ao regressarmos a casa, decidimos de imediato escutar o CD de “Le Bande Magnetique”, enquanto arrumávamos as bagagem, e ele rodou e rodou, e só lhes podemos aconselhar que, se forem a Paris, procurem estes jovens, escutem a sua música e não se esqueçam de lhes comprar o CD, porque ele é magnífico!!!

Bom fim-de-semana 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 5 - The End


"True Grit" / "A Velha Raposa"

Ao chegarmos a 2010 Joel e Ethan Coen decidem abordar um género bem clássico do cinema e cada vez mais esquecido pela Indústria de Hollywood, o famoso “Western” que tantas emoções ofereceu aos espectadores do século passado e nada melhor do que fazer um “remake” de um filme protagonizado pelo mais célebre cow-boy de todos os tempos, estamos a falar desse actor chamado John Wayne que melhor do que ninguém protagonizou inúmeras personagens do velho Oeste, sendo a película escolhida o pouco conhecido “True Grit” / “A Velha Raposa”, de Henry Hathaway.


Jeff Bridges e John Wayne
em "True Grit"

O “remake” de Joel e Ethan Coen irá optar pelo mesmo título do “western” homenageado, ou seja “True Grit”, embora a distribuição portuguesa tenha decidido alterar o título da película de “A Velha Raposa” para “Indomável”, embora nada de mal venha ao mundo por isso, também não custava nada manterem “A Velha Raposa”, já que os irmão Coen seguem à risca o filme original, sendo a personagem do célebre Marshal Rooster Cogburn, anteriormente interpretado por John Wayne, entregue de forma perfeita a esse magnifico actor chamado Jeff Bridges, que está insuperável na interpretação que nos oferece, o mesmo sucedendo a Matt Damon e Josh Brolin.


"True Grit" / "Indomável", uma maravilhosa homenagem 
ao "western" clássico feita pelos irmãos Coen.

Ao mergulharem o seu cinema bem de autor no universo do “Western” Joel e Ethan Coen escolheram uma película com todos esses atributos que caracterizaram o “western clássico”, a sede de justiça, neste caso de uma adolescente que pretende vingar a morte do pai, perante a ineficácia da justiça dos homens.
Em “True Grit” / “Indomável” vamos, mais uma vez, encontrar todos os ingredientes que caracterizam a célebre marca de autor do cinema dos irmãos Coen, seja qual for o género abordado, eles deixam sempre a sua marca de água nas películas que nos oferecem.


"Inside Llewyn Davis", um belo olhar sobre a década de 60.

Três anos passaram desde a feitura de “True Grit” e o nascimento de “A propósito de Llewyn Davis” / “Inside Llewyn Davis” e mais uma vez Joel e Ethan Coen nos vão surpreender ao narrar-nos a história de um cantor folk no início da década de 60, nessa época em que este género musical começava a despertar as atenções dos produtores musicais, fruto da aceitação por parte de toda uma jovem geração, que via nestes músicos munidos de uma viola/guitarra e excelentes poemas, quase sempre da sua própria autoria a abrirem as portas para novos universos em que se falava do amor, mas também da sociedade em que se vivia e nunca é demais de referir que um dos principais centros foi Greenwich Village, sendo precisamente aqui que iremos acompanhar a vida de Llewyn Davis, que tem o desejo de se tornar músico profissional, mas que irá perceber como por vezes é árdua a tarefa de realizar um sonho, até chegar essa oportunidade de ter uma audição em Chicago com um conhecido produtor de então, o célebre Bud Grossman.


A forma como Joel e Ethan Coen nos oferecem esses tempos é inesquecível, assim como a interpretação de Oscar Issac, baseando-se o argumento da película na vida do cantor folk Dave von Ronk.


Ralph Fiennes em "Salvé, Céar!" / "Hail, Caesar!"

E mais três anos irão passar para termos um novo filme de Joel Coen e Ethan Coen, mas a espera valeu a pena, porque se por um lado tivemos a passagem a série de televisão de “Fargo” possivelmente o mais famoso filme dos irmãos Coen, por outro com este “Salvé, César!” / “Hail, Caesar!” em que mergulhamos de novo no interior da Indústria cinematográfica de Hollywood, e dizemos de novo, porque já lá estivemos, com “Barton Fink”, para acompanharmos a rodagem de uma película que nos narra a vida de Cristo, segundo a visão de um legionário romano, na idade de ouro da Hollywood das grandes produções e em que os grandes Estúdios eram verdadeiros estados, revelando-se muitas vezes os seus Presidentes verdadeiros ditadores, como sucede no caso concreto de Eddie Manney (Josh Brolin) e onde não faltam todos os elementos que na época povoavam esse território: o realizador, os actores e as suas questiúnculas, as “gossip girls” ou se preferirem as jornalistas sensacionalistas, e até o argumentista comunista (recordam-se da lista negra?).


George Clooney em "Salvé, César!" / "Hail, Caesar!"

Com “Salvé, César” / “Hail, Caesar”, Joel Coen e Ethan Coen, essa dupla perfeita da História do Cinema, não pára de nos surpreender. Viajar pelo Cinema dos irmãos Coen é uma maravilhosa e inesquecível aventura, que nos leva a navegar pelo interior desse género que ficou conhecido como o “Auteur” ou direi antes, essa personagem já esquecida por muitos e que em tempos se chamou “A Política de Autores”!


Joel Coen e Ethan Coen , a Dupla Perfeita!!!

THE END

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 4


"Destruir Depois de Ler" / "Burning After Reading"

Após o memorável “No Country for Old Men” / “Este País Não é Para Velhos” , Joel e Ethan Coen decidiram regressar ao seu tão característico território da comédia ao assinarem a película “Destruir Depois de Ler” / “Burning After Reading”, convidando mais uma vez o bem conhecido George Clooney para protagonista. E segundo eles este filme concluiu a “trilogia idiota com Clooney”. Recorde-se que os outros dois filmes são “Irmão Onde Estás?” / “O Brother Where Art Thou” e “Crueldade Intolerável” / “Intolerance Cruelty”.


George Clooney e Frances McDormand em
"Destruir Depois de Ler" / "Burning After Reading"

Quando alguém nos fala em filmes sobre a CIA, de imediato a nossa memória nos envia para essa obra-prima de Sydney Pollack intitulada “Os Três Dias do Condor” ou o filme de Tony Scott, “Jogo de Espiões”. Mas Joel e Ethan Coen decidiram oferecer-nos um olhar mordaz sobre a famosa Agência de Informação, através do inenarrável “Destruir Depois de Ler” / “Burning After Reading”, onde iremos acompanhar o destino trágico de um espião que é convidado a abandonar a famosa Agência de Espionagem e que, como não podia deixar de ser, decide vingar-se dela, mas pelo caminho irá descobrir que tal como a Agência também a sua mulher o decide trair e pedir o divórcio, para ajudar ao seu destino trágico e final, as suas revelações gravadas num cd irão viajar para outras mãos, que pretendem tirar o habitual usufruto monetário do mesmo.
A forma como nos é oferecido o modo de funcionamento dos diversos serviços secretos em contenda, porque nestas coisas como nos ensinou John Le Carré nos seus famosos livros, a partir do momento em que confiamos em alguém, estamos irremediavelmente perdidos!


Amy Landecker e Michel Stuhlbarg em.
"Um Homem Sério" / "A Serious Man".

Mas se se pensa que Joel e Ethan Coen já exploraram todos os cenários ao longo da sua inesquecível filmografia, está muito bem enganado porque, ao realizarem esse filme intitulado “Um Homem Sério” / “A Serious Man”, uma dessas comédias bem negras em que os primeiros minutos do filme não têm legendas sendo a língua utilizada o célebre ídiche (judaico), para mais tarde irmos acompanhar a vida atribulada do judeu Larry Gopnick (Michael Sterhlberg), um professor de física, que nos faz lembrar muitas vezes os personagens judeus que povoam os filmes de Woody Allen, e para quem a verdade é a palavra absoluta.


Em "A Serious Man" / "Um Homem Sério",
tudo acontece ao pobre professor Gopnick!

O pobre professor Gopnick irá ver a sua mulher trocá-lo pelo seu melhor amigo, que lhe irá apresentar de forma “filosófica” as razões para tal lhe ter sucedido; um aluno tenta suborná-lo; a filha rouba-lhe dinheiro para fazer uma operação ao nariz, a fim de eliminar esse célebre sinal fisionómico que caracteriza a maioria dos judeus (recorde-se que Joel e Ethan Coen são judeus); o filho tem por passatempo escutar as canções de “sex, drugs and revolution” dos Jefferson Airplane na Escola Judaica; o seu vizinho é um elemento da extrema-direita que, como não podia deixar de ser, prega o extermínio; um Clube de Discos telefona incessantemente para sua casa a pedir o pagamento de prestações em atraso que ele desconhece e por fim começam a ser enviadas cartas para o seu local de trabalho (a Escola) a difamarem-no.


O fabuloso Michael Stuhlbarg, em "Um Homem Sério" /
"A Serious Man", cria uma personagem inesquecível!

Para tentar perceber porque razão é perseguido de forma tão injusta por Deus, procura uma explicação junto do Rabino, mas a complexidade que por vezes assalta as religiões irá estar mais uma vez bem patente para desespero deste tranquilo homem sério, que nunca prejudicou ninguém e ama profundamente a humanidade.
Com “Um Homem Sério” / “A Serious Man” Joel e Ethan Coen assinam uma das suas melhores obras cinematográficas de toda a sua filmografia.

(continua)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 3


"The Ladykillers" / "O Quinteto era de Cordas"

Todos sabemos Hollywood é uma apaixonada por “remakes” e o célebre “O Quinteto era de Cordas” possuía todos os ingredientes para entusiasmar Joel e Ethan Coen a fazerem uma nova versão do conhecido clássico britânico, nascendo assim “The Ladykillers”, tendo Tom Hawks no lugar que outrora pertenceu ao famoso Alec Guiness. Como muitos devem estar recordados a “velha senhora” que irá alojar a perigosa quadrilha, sabia muito mais do que parecia e eliminá-la vai tornar-se uma tarefa (im)possível ?


A mais bela pérola de "Paris Je T'Aime",
foi assinada pelos irmãos Coen!


Nos anos 60/70 do século passado (soa mesmo mal... século passado), o filme de “sketches teve uma enorme divulgação, tendo por diversas vezes cineastas de enorme renome associado o seu nome ao género. Mas dos filmes que então foram realizados “Paris Vu Par” foi, de todos eles, o que maior reconhecimento foi tendo ao longo dos anos pela cinefilia e certamente por esta mesma razão, Joel e Ethan Coen decidiram associar-se ao projecto “Paris, Je T’aime” em que vinte cineastas, das mais diversas origens geográficas e estilísticas, decidiram homenagear a cidade de Paris, também conhecida como a cidade do amor.



Mike Figgis, Christopher Doyle, Michel Gondry, Sally Potter, Walter Sales, Olivier Assayas, entre outros, irão oferecer-nos histórias passadas nos diversos bairros de Paris, tendo os Coen optado pelo 1er arrondissement e como gostam de sabotar as regras do jogo, decidiram fazer o seu pequeno filme não à superfície, porque como todos sabemos a chuva surge sempre em qualquer altura do ano, oferecendo-nos imagens da zona escolhida da capital francesa, mas situando-a no interior de uma estação do metropolitano. Iremos assim descobrir Paris com o inevitável turista americano, meio perdido a assistir a uma bela discussão entre dois namorados, no interior de uma estação do Metropolitano Parisiense que, ao repararem nele no outro lado da plataforma, decidem usá-lo na contenda, para mal dos seus pecados.


O sempre surpreendente e brilhante Josh Brolin em
"No Country For Old Men" / "Este País Não é Para Velhos"

Se a Academia de Hollywood já tinha reconhecido o valor de Joel e Ethan Coen no universo cinematográfico, seria no entanto com a passagem ao cinema do livro de Cormac McCarthy “No Country for Old Men” / “Este País Não é Para Velhos”, que pela primeira vez eles sairiam do famoso Auditório como os grandes vencedores da noite, ao recebem quatro Oscars, depois de estarem nomeados para oito: melhor filme, melhor realização, melhor argumento adaptado e melhor actor secundário: Javier Bardem, que na película é muito mais que secundário, sendo um verdadeiro protagonista ou se desejarem o assassino nato.


Anton (Javier Bardem) o implacável assassino.
que transporta consigo um rasto de sangue e morte.

“Este País Não é Para Velhos” / “No Country for Old Men” é uma verdadeira pedrada no charco, surgindo como um verdadeiro e realista “western” contemporâneo.
Tudo começa com uma mal sucedida transferência entre traficantes numa zona perdida e inóspita do Oeste americano, que resulta na morte de todos os seus intervenientes, deixando ao abandono o produto, a célebre heroína e uma mala contendo apenas dois milhões de dollars, que irão ser encontrados por mero acaso por Llewelyn Moss (Josh Brolin), que tudo fará para ficar com o dinheiro.


Mas com quem ele não contava era com o assassino profissional Anton (Javier Bardem), que não olha a meios para atingir os fins, utilizando métodos muito pouco ortodoxos. Esta carnificina irá despertar a atenção do velho xerife da região, o conhecido Ed, que irá seguir não o cheiro do dinheiro, mas sim o rasto do sangue deixado pelas mortes que se vão sucedendo ao longo do filme, todas elas exibindo uma violência extrema.
“No Country for Old Men” surge assim como a película do conjunto da obra dos irmãos Coen onde a violência é o principal protagonista, deixando o espectador perfeitamente em transe, ao mesmo tempo que a interpretação de Bardem é memorável.


Ethan Coen e Joel Coen durante a rodagem escaldante de
"No Country For Old Men" / "Este Pais Não é Para Velhos"

Para comemorar os seus 60 anos, o Festival de Cinema de Cannes, o mais importante na Europa, como todos sabemos, decidiu através dos seu director Gilles Jacob, convidar 33 cineastas para cada um apresentar uma sequência de três minutos, dando as diversas curtas-metragens origem a uma película de longa-duração, devendo cada uma delas ter uma referência a esse local de magia conhecido como sala de cinema. Como não podia deixar de se Joel e Ethan Coen foram uns dos eleitos, tendo apresentado o segmento “World Cinema”.

(continua)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 2


Depois da grande consagração obtida nessa noite dos Oscars, nasceu “The Big Lebowski”/”O Grande Lebowski”, que aborda a questão de confusão de identidades... mas no interior desse género tão querido dos irmãos Coen: a comédia negra por excelência, que conta no protagonista com esse grande Actor eternamente esquecido pela Academia chamado Jeff Bridges.
Jeff Lebowski é um desempregado, conhecido como “The Dude”, fanático jogador de “bowling”, que possui em John Goodman o seu amigo do peito, sempre com uma solução para todos os desastres, mesmo quando não há volta a dar ao problema.


Jeff Bridges (The Dude) cria uma personagem 
única e inesquecível em "The Big Lebowski"!

The Dude (Jeff Bridges), como é conhecido entre os amigos, é confundido com o multimilionário Jeffrey Lebowski, a quem um bando pretende cobrar uma daquelas dívidas que só os Coen poderiam alguma vez imaginar.
Por outro lado iremos descobrir nesta película uma curiosa personagem interpretada por Julianne Moore, onde podemos descortinar uma crítica mordaz à nova geração de artistas que pulula por Los Angeles, com as suas obras de “Arte”.


"Irmão Onde Estás?" / "O Brother Where Art Thou?"
oferece-nos um trabalho de fotografia fabuloso de Roger Deakins.

Se até aqui John Turturro era/é um dos elementos da “família” dos irmãos Coen, sendo o outro elemento Steve Buscemi, com a feitura de “Irmão Onde Estás?””/”O Brother, Where Art Thou?”, George Clooney irá passar a ser um elemento preponderante na filmografia de Joel e Ethan Coen e aqui iremos encontrar uma soberba revisão de “A Odisseia”, transportada para o interior da famosa América dos gangsters, onde não falta o famigerado Ku Klux Klan e os recém-nascidos “blues”, numa perfeita simbiose, ao mesmo tempo que nos narra a loucura com uma simples canção transmitida pela rádio.


E aqui se iniciou a frutuosa colaboração 
entre George Clooney e os irmãos Coen!

Os três homens em fuga da prisão são liderados pelo famoso e brilhante Everett (George Clooney), que até dorme com uma rede no cabelo, para manter o seu ar galã, nunca dispensando a sua brilhantina para ter um ar mais belo. Teremos ainda um tesouro escondido que se pretende recuperar, uma esposa para ser reconquistada (sem dúvida a Penélope de Ulisses), mais as suas crianças. Mas este “perigoso” trio de fugitivos de uma prisão do Mississipi irá ser perseguido ao longo do “movie” pela polícia até que, quando tudo parece perdido, um abençoado diluvio tudo lavará sem “pecado”, numa sequência inimaginável!!!!!


"O Barbeiro" / "The Man Who Wasn't There",
revela-se a homenagem perfeita dos Coen ao "film noir".

Quando mais uma vez se pensava que Joel e Ethan Coen tinham abandonado o “film noir” para sempre, nasce “O Barbeiro”/”The Man Who Wasn’t There”, uma fabulosa película a preto e branco, como mandam as regras e com um Billy Bob Thorton único, ao compor uma personagem que praticamente não fala (os Coen chegaram a referir numa das muitas entrevistas dadas, aquando da produção, que ele era detentor dos diálogos mais curtos de uma personagem principal) e, na verdade, o “hum, hum” constante e aquele cigarro sempre na boca falam por si. Recorde-se como curiosidade que Billy Bob tinha deixado de fumar e os manos decidiram testar a sua vontade em deixar o vício do tabaco, ao longo da rodagem do filme.


Billy Bob Thorton oferece-nos uma interpretação
 insuperável em "O Barbeiro" / "The Man Who Wasn't There".

Evocando as regras que regiam os filmes da época, em que o famoso código Hays ditava a lei, como se se tratasse de um Deus vigiando os sacrilégios da pecadora Hollywood, em que os culpados teriam que ser sempre castigados. O fatal destino do apagado barbeiro Ed Crane (Billy Bob Thorton) acabaria por surgir nesse verão de 1949, quando menos se esperava, acusado de um crime que não cometera.
Apesar de se tratar de uma verdadeira obra-prima, “O Barbeiro” permanece na filmografia dos irmãos Coen como o filme menos conhecido de todos os que realizaram e bem merece ser descoberto, porque se trata de um verdadeiro diamante em bruto, que vai sendo trabalhado ao longo da película, até se tornar nessa jóia de estimação que se guarda para sempre no coração da cinefilia.


O sempre excelente Richard Jenkins, ao lado de Catherine Zeta-Jones,
em "Crueldade Intolerável" / "Intolerable Cruelty".

Perante o carisma que cobria os Coen os Estúdios não hesitaram em entregar-lhes um argumento que andava perdido pelos gabinetes à longos anos, tratava-se de “Crueldade Intolerável”/”Intolerable Cruelty”, sendo o par protagonista constituído por dois nomes sonantes do firmamento de Hollywood: George Clooney e Catherine Zeta-Jones.


Catherine Zeta-Jones e George Clooney
em "Crueldade Intolerável"

Ela é uma caça fortunas, que acusa o marido de adultério, para lhe ficar com o vil metal e ele o advogado da dita fortuna, mas quando todos se encontram com os respectivos advogados, para tratarem do divórcio, a tal faísca irá tomar conta do coração dele e apesar de ele sair vencedor no processo, ela passará a dar as cartas nesse jogo terrível do amor, usando a sua beleza para se vingar do belo advogado que lhe fez perder uma fortuna.

(continua)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Joel Coen e Ethan Coen – A Dupla Perfeita - Parte 1


Joel Coen e Ethan Coen - a dupla perfeita!


O chamado “film noir” é um género cinematográfico que nos últimos anos estacionou a nível de produção de qualidade, acabando por ser revisto em alta por dois homens de mesmo apelido: Coen. Joel seria o realizador e Ethan o produtor, sendo o argumento escrito por ambos.

“Blood Simple”/”Sangue por Sangue” é uma película cheia de referências e coberta pelo pó da memória do policial americano (quem se recorda de “O Arrependido”/”Out of the Past” de Jacques Tourneur?) dos anos 40/50. O próprio título “Blood Simple” é uma citação do grande Dashiell Hammett e os elementos utilizados são os que deram fama ao tema: o detective, a mulher, o amante e a noite.



Frances McDormand em 
"Blood Simple" / "Sangue por Sangue"


Rodando a história à volta deste quarteto, encontramo-nos cúmplices da paisagem coberta de néon, onde o detective tipicamente texano, o seu chapéu é um ícone perfeito, se transforma no assassínio.

Estamos, assim, perante a situação de dar as cartas com os trunfos trocados e mal marcados, onde a esposa foge com o amante, que é empregado do marido, enquanto este contrata um detective para terminar com o romance. A desconfiança mútua é uma constante e as situações criadas, por coincidência do destino, acabam por alterar todo o sentido do filme, inicialmente delineado.
Maravilhosas e antológicas são as sequências iniciais (a viagem pela estrada fora, pela noite dentro) e finais (o duelo derradeiro e a morte do detective), obrigando-nos a não mexer um único músculo, tal é a tensão que invade o espectador.
Vinte e Cinco anos depois e em plena consagração do cinema dos irmãos Coen, foi reposta uma nova cópia da película, revelando-se uma daquelas obras-primas eternamente jovens.



Nicolas Cage e Holly Hunter em
"Arizona Junior" / "Rising Arizona"

Após a estreia dos Coen na longa-metragem com “Blood Simple”, muitos ficaram admirados ao verem a sua obra seguinte intitulada “Arizona Júnior”/”Rising Arizona”, onde a câmara é, também ela, um dos actores da película. Surge desta forma a vertente das comédias negras na obra dos irmãos Coen, que irá ser explorada ao longo dos anos.
Nicolas Cage é um presidiário de delitos menores, que se apaixona pela mulher polícia que encontra na esquadra (Holly Hunter), terminando por se casarem mas a cegonha nunca mais chega e para grandes males grandes remédios, decidem raptar um bebé recém-nascido, que possui muitos mais irmãos da mesma idade, poderemos assim dizer abençoada “clonagem”, recomeçando desta forma a sua vida no crime. O assalto ao supermercado para roubarem fraldas para a criança é de antologia!




O genial "Miller's Crossing" / "Guerra de Gangsters"
na imagem Gabriel Byrne e John Turturro, na mais famosa sequência.


Ainda um pouco desorientados com o universo dos irmãos Coen, vimos nascer um dos seus mais belos filmes possuidor, mais uma vez, de uma sequência merecedora de fazer parte de uma Enciclopédia Mundial do Cinema. A película, como devem estar recordados, é “História de Gangsters”/”Miller’s Crossing” com um Gabriel Byrne no seu melhor desempenho de sempre e um Albert Finney inesquecível.
Estamos assim perante um cenário operático com referências directas a “O Padrinho” de Francis Ford Coppola e perante um então desconhecido John Turturro que, ao ser abatido no bosque (a tal cena antológica), não vimos o seu corpo a ser atingido, mas sim o seu chapéu a percorrer o bosque ao sabor do vento, tudo indicando que ele acabara de ser morto.



John Turturro e Judy Davis em "Barton Fink"

E quando todos esperávamos por mais uma comédia negra, os irmãos Coen decidem oferecer a John Turturro a oportunidade de vestir a pele do encenador/dramaturgo de “Barton Fink” que, perante o seu sucesso no Teatro é de imediato convidado por Hollywood como argumentista, como sucedia nesses anos e terminando o escritor por mergulhar no bloqueio criativo, ao mesmo tempo que a sua história parte para caminhos “subterrâneos”, no interior do quarto que lhe é destinado no hotel.
Enquanto nos sempre famosos Estúdios o argumentista se confronta com o produtor, terminando por se cruzar com um outro argumentista, que não larga a sua garrafa de whisky, chamado William Faulkner, que um dia disse nos Estúdios que ia para casa escrever o argumento da película que lhe fora destinada e quando duas semanas depois o produtor o procurou no hotel, descobriu alarmado que ele não se referia ao seu quarto de hotel, mas sim à sua casa no Mississipi.



Tim Robbins e Paul Newman em,
"O Grande Salto" / "The Hudsucker Proxy"

Seguindo as regras do jogo instituídas por Joel e Ethan Coen na sua filmografia, a obra seguinte seria essa deliciosa comédia intitulada “The Hudsucker Proxy”/”O Grande Salto” com o Paul Newman e o Tim Robbins e que nos relata a história secreta da origem do “hulla-hop”, que surge como uma maravilhosa sátira ao capitalismo. E, mais uma vez (como não podia deixar de ser), os irmãos Coen alteram por completo o rumo previsto pela obra anterior, partindo para aquele que é o nosso filme favorito: “Fargo”, situando-se a acção da película no gelado Minnesota, com uma Frances McDormand fabulosa na interpretação da mulher-polícia grávida que investiga o rapto e posteriores crimes que surgem na pacata e tranquila região. Mas, acima de tudo, é o ambiente peculiar desta região e os habitantes das famosas “little town” que são retratados da forma mais genuína possível. Se o leitor seguir pela estrada fora, através dessa América profunda, irá certamente encontrar as personagens reais de “Fargo”.


"Fargo" a obra-prima absoluta dos irmãos Coen!

E foi assim que Joel Coen e Ethan Coen chegaram à noite dos Óscares, conquistando o Oscar para o Melhor Argumento Original, assinado por ambos e como numa casa que se preze a esposa também é dona dos seus trunfos, Mrs Frances McDormand, esposa de Joel Coen, levou a estatueta para a Melhor Actriz Principal. “Fargo” é uma daquelas obras-primas que nunca nos cansamos de rever e simultaneamente um “cult-movie” para muitos!




Frances McDormand com o marido Joel Coen,
celebrando a vitória de "Fargo" nos Oscars!


(continua)

domingo, 24 de julho de 2016

King Crimson em Paris


Não é todos os dias que temos oportunidade de ver ao vivo os King Crimson, essa banda histórica do Rock Progressivo, que desde 1969 não pára de surpreender o universo musical do Rock. E será com a formação que surge no seu último álbum editado, o fabuloso “King Crimson - Live in Toronto”, que eles se irão apresentar na mítica Salle Pleyel de Paris, nos dias 3 e 4 de Dezembro (sábado e domingo), da formação de 2015 apenas o baterista Bill Rieflin será substituído por Jeremy Stacey.




  King Crimson Live in Toronto 2015 (duplo CD)

A formação dos King Crimson  para a Tournée 2016 é constituída por:

Robert Fripp – Guitarra, Soundscapes e Keyboards
Mel Collins – Saxofone e Flauta
Jakko Jakszyk – Voz e guitarra
Tony Levin – Baixo e Chapman Stick
Pat Mastelotto – Bateria e Percussão
Gavin Harrison – Bateria e Percussão
Jeremy Stacey – Bateria, Percurssão e Keyboards


Aqui vos deixo um pouco da sua música no ano de 2016:



Long Live King Crimson!

sábado, 23 de julho de 2016

Jean-Luc Godard – “Masculin/Feminin" em Paris nos Cinemas


É o acontecimento cinematográfico deste verão em Paris, a reposição em cópia restaurada de “Masculin/Feminin” de Jean-Luc Godard, o célebre filme do cineasta também conhecido como o retrato de “Les enfants de Marx & de Coca-Cola”, com o inevitável Jean-Pierre Léaud, o mais célebre rosto dos actores da Nouvelle Vague, que se imortalizou aos 15 anos no cinema em “Os 400 Golpes”, de François Truffaut criando a célebre personagem Antoine Doinel, que irá surgir em filmes de François Truffaut, Jean-Luc Godard e Jean Eustache.


Ao lado de Jean-Pierre Léaud em “Masculin/Feminin” de Jean-Luc Godard teremos a bela Chantal Goya, assim iremos acompanhar a história de Paul (Jean-Pierre Léaud), um jovem bem consciente do mundo em que vivemos e Madeleine (Chantal Goya), uma jovem apaixonada pela áurea do momento ou seja ambiciona vir a ser uma pop star, numa época em que elas nasciam e viviam nas célebres constelações, fossem da música, da moda ou do cinema. 


Não percam este delicioso filme se forem a Paris, porque vê-lo em cópia restaurada numa sala de cinema representa uma viagem até esses deliciosos anos sessenta, verdadeiramente inesquecíveis.


Jean-Luc Godard dirigindo o genial "Masculin/Feminin" 
/ "Masculino/Feminino"

sexta-feira, 22 de julho de 2016

George Méliès - "A Viagem à Lua" / "Le Voyage dans la Lune"


Georges Méliès foi um verdadeiro Mago dessa nova Arte que nascia, vulgarmente conhecida por Cinema, inventando todo o tipo de efeitos especiais, para deslumbrar os espectadores dos seus filmes, como fica bem patente neste maravilhoso filme intitulado "Viagem à Lua" / "Voyage dans la Lune", realizado em 1902, assim nascendo o famoso cinema de ficção científica.

Georges Méliès – “A Viagem à Lua” / “Le Voyage dans la Lune”


Georges Méliès - "A Viagem à Lua" / "Le Voyage dans la Lune"
 (FRANÇA-1902) - (14 min. - Mudo - P/B)
George Méliès, Victor André, Depierre, Farjaux, Kelme.

George Méliès foi o homem que, depois de ter visto os filmes dos irmãos Lumière, percebeu que tinha nascido uma nova Arte e de imediato decidiu construir um Estúdio em Montreuil-sous-Bois, onde irá desenvolver intensa actividade, sendo o inventor dos hoje mais que conhecidos efeitos especiais. No entanto estes surgiram por acaso quando filmava numa rua de Paris: a câmara encravou e quando retomou as filmagens criou o primeiro efeito especial. Este génio sonhador, leitor de Jules Verne, decidiu passar para o cinema a famosa “Viagem à Lua”, que irá fazer com que todos lhe fixem o nome para sempre.


Iremos, no início do filme, assistir ao congresso de Astronomia onde se encontra o famoso professor Barbenfouillis, que decide construir um canhão para lançar o foguetão para o espaço, rumo à Lua, esse planeta que sempre tem fascinado a humanidade. Conseguido o feito, os seus tripulantes irão desembarcar no planeta e descobrir nele os famosos selenitas com cabeça de camarão (habitantes desse estranho e desconhecido território), mas também irão encontrar uns estranhos e perigosos cogumelos, para além das inevitáveis estrelas que navegam no espaço.


Contando com a colaboração de bailarinos e acrobatas do Folies Bergére, George Méliès constrói uma obra que irá ficar para a história do cinema como o primeiro filme de ficção-científica. Regressados à terra, os tripulantes da nave são recebidos como heróis, o mesmo sucedendo a Méliès, que rapidamente se transforma num cineasta de renome mundial. Mas a luta que então se desenvolvia no meio cinematográfico, ainda nascente, irá conduzi-lo rapidamente à ruína, para a qual a Primeira Guerra Mundial deu também o seu contributo, terminando os seus dias a gerir uma pequena loja de brinquedos na estação de Montparnasse, esquecido por todos.


“A Viagem à Lua” / "Le Voyage dans la Lune" de Georges Méliès encontra-se em exibição permanente no Museu da Cinemateca Francesa e a sua visão é um dos mais belos acontecimentos a que um cinéfilo pode assistir.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Lawrence Kasdan – O Cineasta Acidental – Parte 4 – The End


Diane Keaton e Kevin Kline no regresso de Lawrence Kasdan
 à realização em "Darling Companion" / "Fiel Companheiro".

Como sucede muitas vezes em Hollywood, Lawrence Kasdan surge como actor em dois “cameos”. O primeiro no filme em que quase todos os actores secundários eram cineastas: “Pela Noite Dentro”/”Into the Night” de John Landis, no qual era um dos detectives, surgindo o segundo “cameo” muitos anos depois, numa obra sua, a comédia “Amar-te-ei Até Te Matar” em que é o advogado do sempre “na lua” Devo (River Phoenix).


Jack Nicholson e Lawrence Kasdan (o imperturbavel Dr. Green)
em "Melhor é Impossível" / "As Good As It Gets".

Mas será na obra desse excelente cineasta, tão pouco reconhecido pela crítica, Mr. James L. Brooks (e também um dos criadores da série “Os Simpson”), que ele irá vestir a pele do psiquiatra do temível Melvin Udall, numa breve interpretação que nos deixa a todos de sorriso nos lábios. Estamos a falar, como já perceberam, dessa comédia maravilhosa intitulada “Melhor é Impossível”/”As Good as It Gets”.


Loren Dean e Hope Davis em "Mumford"

No final do Milénio Lawrence Kasdan decide regressar à comédia com "O Invulgar Dr. Mumford" / "Mumford", que terminou por se revelar um pequeno fracasso, não só porque lhe faltou um nome forte no elenco, apesar de nele constar Ted Danson, cujo contributo para a película é infelizmente reduzido, surgindo um pouco como actor secundário e depois a história do Dr. Mumford (Loren Dean), esse desconhecido que chega à cidade e de imediato começa a roubar clientela, devido aos seus métodos, aos dois médicos residentes na área, Dr. Ernest Delbanco (David Paymer) e a Dra. Phyllis Sheeler (Jane Adams), levando-os a conspirar contra ele com o apoio do advogado Lionel Dillard (Martin Short), porque na verdade cada homem transporta consigo, sempre o peso do seu passado.


"Dreamcatcher" / "O Caçador de Sonhos", 
uma incursão pelo território do terror.

Mas em 2003, ao adaptar ao cinema o livro "Dreamcatcher" de Stephen King, o cineasta Lawrence Kasdan irá realizar "O Caçador de Sonhos" / "Dreamcatcher", que se irá tornar numa película mal amada pela crítica cinematográfica, que o arrasa, mas também irá contar com a fuga do público, incluindo dos seus fans, revelando-se a película um desastre financeiro de tal ordem, que irá fazer com que o cineasta esteja durante uma década sem realizar um filme.
Na verdade, a incursão de Lawrence Kasdan pelo território do Cinema de Terror, usando Stephen King como padrinho no qual temos cenas verdadeiramente atrozes e de um mau gosto inacreditável, levam o cinéfilo a comparar esta película com o filme obra-prima de John Carpenter "The Thing" e inevitavelmente percebemos onde o cineasta acidental falhou, já que em ambos os filmes temos imensos pontos de contacto.
Ao revermos "O Caçador de Sonhos" / "Dreamcatcher", quase desejamos esquecer o nome do cineasta que o realiza, porque ele ao longo de décadas sempre nos ofereceu filmes inesquecíveis.


Diane Keaton e o seu Fiel Companheiro

" Fiel Companheiro" / "Darling Companion" representa o regresso de Lawrence Kasdan a essa casa que sempre geriu com mão de génio, conhecida como comédia dramática e indo buscar esse actor chamado Kevin Kline (seu alter-ego), para protagonista, dando assim o passo necessário para transformar esta película numa obra a não perder, convocando também para o elenco nomes bem conhecidos do grande público, como sucede com Diane Keaton, Richard Jenkins, Dianne Wiest e Sam Shepard.


Kevin Kline, a presença mais assídua 
no universo de Lawrence Kasdan em
"Fiel Companheiro"/"Darling Companion"

Tal como sucedia em "O Turista Acidental", será o conhecido "melhor amigo do homem" a despoletar a acção de "Fiel Companheiro" / "Darling Companion", o cão que as filhas de um casal da classe média decidem adoptar depois de o encontrarem abandonado em pleno inverno. Os pais das jovens vivem um casamento que se mantêm apenas "socialmente" e se Beth (Diane Keaton), se afeiçoa ao novo habitante do lar para expulsar a solidão que a envolve quotidianamente, já o Dr. Joseph (Kevin Kline) permanece tranquilo em redor do seu ego, até chegar esse momento em que ao passear o fiel companheiro, o deixa fugir e de imediato se instala a tragédia em redor dos convidados que restam na sua casa de férias nas montanhas e mal se começa a pensar na melhor forma de prepararem as buscas para encontrar o fugitivo, estalam os conflitos e as emoções em redor dos presentes, revelando o melhor e o pior do ser humano, que habita no interior de todos.
"Fiel Companheiro" / "Darling Companion" marca o regresso de Lawrence Kasdan ao cinema com que sempre nos maravilhou.


Meg Ryan, Lawrence Kasdan e Kevin Kline,
a tripla vencedora do genial "French Kiss".

Ao terminar esta viagem pela filmografia do cineasta acidental, podemos dizer que continuamos a admirar o genial Lawrence Kasdan de “Noites Escaldantes” / “Body Heat” e procuramos o seu “French Kiss” quando a tristeza nos bate à porta e temos necessidade de lhe dizer que essa porta já não existe, porque estamos a caminho de Paris, com o Luc e a Kate ou que o nosso conceito de amizade se encontra extraordinariamente bem retratado em “Os Amigos de Alex” e em “Grand Canyon” ou o amor nunca foi tão gratificante como em “O Turista Acidental”. Depois queremos ir ao Nimas, como diria o Frank O’Hara para ver aquelas “cow-boyadas” intituladas “Silverado” e “Wyatt Earp”, para revivermos os nossos tempos de criança, em que imitávamos os nossos heróis, fossem eles o xerife, o vilão ou a célebre cavalaria...

THE END